Glossário de História Luso-Brasileira


Há uma década foi lançado o sítio O Arquivo Nacional e a História Luso-Brasileira voltado para a difusão do acervo de história colonial sob guarda do Arquivo Nacional, compreendido entre os séculos XVI e XIX. O sítio é composto de diversos temas sobre a história luso-brasileira, a partir de pesquisas realizadas no acervo da instituição, que se dividem atualmente em duas seções, Temas Luso-Brasileiros (compostos das seções Oriente, Brasil, Portugal e Império Luso-Brasileiro) e A Corte no Brasil (desenvolvida especialmente durante as comemorações da transmigração da Corte portuguesa para o Rio de Janeiro, em 2008). Dentro de cada assunto, há subseções que estruturam a pesquisa: Ementas, Salas de Aula, além de um Comentário sobre o assunto elaborado por um historiador convidado ou pelos pesquisadores do Arquivo Nacional, além de uma pequena lista de Sugestões Bibliográficas sobre o objeto.
A seção Ementas contém resumos de documentos pesquisados sobre a matéria desenvolvida de diversos fundos e coleções, acompanhados das informações arquivísticas que permitem sua localização no acervo. Essa seção visa a auxiliar o pesquisador de história do Brasil e ao público em geral que deseja ter mais contato com o acervo do Arquivo Nacional ou conhecer melhor a história do período colonial.
A seção Sala de Aula permite um maior aprofundamento dos diversos assuntos, comprometida com as atividades de pesquisa e de apoio ao ensino da História. A metodologia para o desenvolvimento dessa seção inclui a transcrição de documentos em linguagem atualizada, visando a facilitar o contato de professores e alunos do ensino fundamental e médio com os documentos de arquivo, para que possam ser usados para enriquecer as aulas e aproximar os cidadãos de sua história e de uma instituição de pesquisa. Das cartas régias, alvarás, da correspondência e legislação em geral, pesquisados e reproduzidos nas “páginas” do sítio, destacaram-se termos que geraram verbetes a partir da própria escrita, das expressões empregadas, de um léxico que em si mesmo é fato histórico. Muitos termos de época, conceitos e expressões de ideias e pensamentos só tinham sentido à luz do contexto de produção e careciam de explicação, definição e reflexão. Assim começava a nascer o Glossário da História Luso-Brasileira.
Esses verbetes estabeleceram um verdadeiro roteiro de leitura para os documentos selecionados e reproduzidos na seção Sala de Aula, e passaram a ganhar corpo e importância. Ao fim de quase 10 anos de trabalho, produziram-se cerca de 600 verbetes que, após sofrerem alterações, dotados de uma nova autonomia, passaram a constituir um outro produto, o Glossário de História Luso-Brasileira no acervo do Arquivo Nacional. Diferentemente de publicações afins existentes, dicionários, compilações de termos das áreas política, cultural, administrativa, o Glossário não partiu de um conjunto de verbetes propostos por historiadores e estudiosos da colônia. Foi ganhando vida por meio dos critérios e das escolhas dos pesquisadores que os selecionaram e redigiram, mas a partir da terminologia encontrada nos próprios documentos. É assim que além de temas importantes como por exemplo, o café, o açúcar, a escravidão, estão presentes também os bandos, capitulações, corvetas, celamins, devoradores de trono, entre outros termos carregados de historicidade e que muitas vezes não fazem mais parte do repertório linguístico atual, mas que estão presentes no nosso vocabulário histórico.
Organizados por critério alfabético, levando-se em consideração vocábulos onomásticos, toponímicos e temáticos, a própria sucessão de termos descortina o universo luso-brasileiro, dos produtos tropicais, do sistema escravista, das ideias científicas, das cidades que se formaram, da diplomacia europeia, de um mundo cuja lógica e colorido se vislumbra em listas, tabelas ou na correspondência da Corte.
O Glossário será publicado por letra ou grupos de letras, sucessivamente nessa seção. Em breve Açoite, Açúcar, Adultério, entre tantas palavras, serão trazidas à sua história colonial.