Ir direto para menu de acessibilidade.
Início do conteúdo da página
Oriente

Mapa de comércio

Escrito por Super User | Publicado: Quarta, 20 de Setembro de 2017, 19h43 | Última atualização em Quinta, 21 de Junho de 2018, 15h16

Trata-se de um resumo do mapa de exportação de alguns produtos dos portos da Índia e Portugal em Goa no ano de 1812. Aparentemente uma listagem simples de produtos comerciados, por meio desta é possível encontrar alguns produtos importantes para a economia da Metrópole e que compunham a pauta do comércio entre o Ocidente e o Oriente, aspecto fundamental para a compreensão da expansão marítima portuguesa. Permite também ter acesso aos pesos, medidas e moedas correntes no período.

Aparentemente uma listagem simples de produtos comerciados, por meio desta é possível encontrar alguns produtos importantes para a economia da Metrópole e que compunham a pauta do comércio entre o Ocidente e o Oriente, aspecto fundamental para a compreensão da expansão marítima portuguesa. Permite também ter acesso aos pesos, medidas e moedas correntes no período.

Conjunto documental: Junta do Comércio. Importação e Exportação. Mapas de colônias portuguesas (Brasil e domínios) e de cônsules estrangeiros para Portugal
Notação: caixa 448, pct. 1
Datas-limite: 1808-1822
Título do fundo ou coleção: Junta do Comércio, Agricultura, Fábricas e Navegação
Código do fundo: 7X
Argumento de pesquisa: Goa
Data do documento: 1810
Local: Rio de Janeiro
Folha(s): doc. 3
Leia este documento na íntegra

Exportação dos Portos da Índia e Portugal em Goa

Fazendas e outros gêneros 

    Xs T Rs
109

Escravos [1]

2.116    
 

Fazendas

2.085.363 1 27
 

Ferragens

18.542 1 17 ½
64 quintais [2], 2 arrobas [3], e 10 libras [4] de

Algodão [5]

59.808 3 22 ½
   Vários gêneros 19.600 3 22
44

Cavalos

13.635   20
 

Louça

7.936 2 12
 

Drogas [6]

45.230 4 10
  Miudezas 107.869 4 15
  Dinheiro [7], Prata e Ouro em pó 49.910 0 11
total parcial   2429057 2 15

 


[1] Logo nos primeiros anos da colonização no Brasil, utilizou-se mão do trabalho escravo indígena  para garantir a mão-de-obra necessária à produção açucareira, principal atividade da economia colonial até o século XVIII. Empregados nas lavouras, nos engenhos, nos moinhos, na criação de gado e nos serviços domésticos, os índios foram a primeira opção dos senhores de Engenho para a escravização, devido ao grande contigente populacional então existente e à falta de recursos suficientes que viabilizassem a importação de escravos africanos, já conhecidos pelos portugueses. Apesar da existência de uma legislação que proibia a escravidão indígena desde o final do século XVI,  a Coroa portuguesa não conseguiu extinguí-la.  As reações dos gentios à escravidão foram as mais diversas, além das lutas armadas, a fuga, o alcoolismo e o suicídio foram os meios encontrados para reagir à violência  do escravismo colonial. A substituição do escravo indígena pelo escravo africano deu-se a partir do século XVII, resultando de vários fatores:  a grande resistência dos índios à escravidão;  a crescente escassez de mão-de-obra indígena, decorrente da mortandade gerada pelas doenças e pelas guerras; a posição contrária da Igreja Católica e o tráfico negreiro intercontinental.  Na verdade, foi o lucro originário do comércio negreiro que,  tornando-se uma das principais fontes de recursos para a metrópole, fez do escravo africano mais atrativo do que o indígena.
[2] Unidade de peso e medida equivalente a quatro arrobas.
[3] Unidade de peso e medida equivalente a trinta e dois arratéis. O arratel era uma antiga unidade de peso de valor igual a 429g.
[4] Unidade de massa que varia de acordo com os lugares entre 380 a 550g.
[5] Conjunto de fibras que envolve a semente do algodoeiro, que é uma planta de clima mais seco e de chuvas regulares, por isso mesmo típica de regiões mais afastadas do litoral. Também dá nome ao tecido fabricado com suas fibras.  O algodão foi um dos produtos secundários, mas bastante importante no comércio ultramarino português. Há relatos desde o século XVII, de que as roupas dos escravos eram feitas deste material. No século XVIII, há um aumento do consumo britânico do algodão, impulsionando a produção deste nas colônias portuguesas, interessadas no lucro comercial. A concorrência do algodão produzido nas Treze Colônias Americanas, de menor custo e de maior qualidade, levou à decadência da produção algodoeira no Brasil.
[6] As drogas que se podem estar referindo são conhecidas também como ESPECIARIAS, palavra proveniente do termo latim ‘especia’ = substância. Tem o sentido de substâncias raras e caras, usadas em pequenas quantidades, para fins de perfumaria (cosmética), remédio (drogas que curam doenças), e condimento (temperos usados principalmente na técnica de conservação dos alimentos, para disfarçar e/ou suavizar os sabores). Eram, em sua maioria, importadas do Oriente e foram um dos fatores importantes no surto e na evolução dos descobrimentos. A noz-moscada; o gengibre; a canela; o cravo-da-índia; a pimenta (líder absoluta da preferência das importações); e, por algum tempo, o açúcar são alguns exemplos de especiarias apreciadas pelos europeus na Idade Moderna. O açúcar deixa de ser considerado uma especiaria com o início de seu consumo em massa, a partir da monocultura açucareira fomentada pelos portugueses. Data desta época a expressão “caro como pimenta”.
[7] “Tudo aquilo que representa o equivalente das coisas que se compram e vendem, e giram em todo gênero de comércio”. O dinheiro circulava em forma de moedas de metais preciosos (ouro e prata) ou apólices com cunho público, as quais eram o “dinheiro de papel” da época.

Fim do conteúdo da página