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Moçambique

Ataques holandeses

Escrito por Super User | Publicado: Sexta, 06 de Outubro de 2017, 16h57 | Última atualização em Segunda, 25 de Junho de 2018, 18h30

Ordem régia enviada a d. Sancho de Faro, conde de Vimieiro, governador-geral do Brasil, determinando a mudança na rota do comércio de escravos.

Conjunto documental: Registro e índice de ordens régias existentes no Arquivo da Junta da Fazenda da Bahia sobre assuntos eclesiásticos, compras de madeiras, hospitais e casas de misericórdia, Casa da Moeda, oficiais e soldados, nomeações de médicos, naus e navios, obras pias.
Notação: Códice 539, vol. 02
Datas-limite: 1568-1771
Título do fundo ou coleção: Relação da Bahia
Código do fundo: 83
Argumento de pesquisa: Moçambique
Data do documento: 24 de janeiro de 1719
Local: Lisboa
Folha(s): 62v a 63v

“Dom João[1] por graça de Deus etc. Faço saber a vós Conde do Vimieyro[2], Governador, e Capitão General do Estado do Brasil, que havendo visto o que respondeu o Vice-Rei o Marquês de Angeja[3] à ordem que lhe foi sobre se lhe oferecia algum arbítrio que conduzisse para a introdução de escravos nessa cidade com menor preço ao excessivo com que hoje se tiram da Costa da Mina[4], representando-me, que não podia haver arbítrio mais seguro, do que aquele que se provava com a experiência, parecendo-lhe seria conveniente procurá-lo mandando à Ilha de S. Lourenço[5] fazer este resgate na forma que o fazem os ingleses .... E reconhecendo-se ser este negócio que aponta o dito Marquês Vice-rei, muito útil pela conveniência que se pode seguir ao Brasil[6], em ser mais bem provido de escravos, vista a dificuldade que se experimenta na Costa da Mina, pelos roubos, e violências que fazem os holandeses[7] aos vassalos[8] desta coroa, que ali vão resgatar; nesta consideração ... sou servido, que dos portos do Brasil possam ir embarcações à Ilha de São Lourenço, com condição que não poderão levar para este resgate nem ouro nem marfim[9]; e sendo-lhe necessário tomar porto na terra firme, não seja nunca de Sofala[[10], nem de Climane, nem as Ilhas de Angoxa; porque desta sorte ficarão salvos os prejuízos que se podem seguir ao comércio da Índia[11], e ao de Moçambique[12]. E esta minha Ordem fareis com que se faça pública em todas as capitanias desse Estado para que venha à notícia dos meus vassalos, e a fareis registrar nos livros da Secretaria desse governo, e mais partes onde convier, para que conste a todo o tempo o que nesta matéria determinei. El Rei Nosso Senhor o Mandou.
Antônio de Cobellos Pereira a fez em Lisboa Ocidental a 24 de Janeiro de 1719."

 

[1] Trata-se de d. João V, “o magnânimo” (1689-1750). Proclamado rei em 1706. Entre as medidas políticas mais expressivas de seu governo, encontram-se os tratados de Ultrech (1713-1715), selando a paz na guerra de sucessão espanhola e o tratado de Madri (1750), o qual retratou de maneira mais próxima a atual configuração do território brasileiro. Durante seu reinado, merece consideração a figura de Alexandre de Gusmão, brasileiro que intermediou o tratado de Madri.
[2] D. Sancho de Faro, 2º conde de Vimieiro (1659-1719). Nascido em Lisboa, foi nomeado governador e capitão-general do Brasil em 1718, poucos meses antes de seu falecimento na Bahia. Seu governo teve como ato expressivo a execução de 27 piratas condenados no Rio de Janeiro.
[3] D. Pedro Antônio de Noronha e Albuquerque, 1º marquês de Angeja e 2º conde de Vila Verde (1661-1731). Entre 1692 e 1694, foi nomeado Vice-Rei da Índia, em um período de acentuada decadência do domínio português no Oriente. Logo depois, foi general da cavalaria da província do Alentejo e mestre de campo general do exército português. Exerceu de 1714 a 1718, o cargo de Vice-Rei do Brasil com superintendência em todas as capitanias da América do Sul. Cabe ainda ressaltar, entre as funções, os cargos de conselheiro de Estado e de Guerra, vedor da Fazenda e mordomo-mor da princesa do Brasil.
[4] Região da África Ocidental que foi descoberta em 1471 pelos navegadores portugueses João de Santarém e Pedro Escobar. Em 1481, construiu-se ali o Castelo de São Jorge para garantir o tráfico de escravos da região.
[5] Foi descoberta pelo navegador italiano, depois naturalizado inglês, John Cabot. No entanto, sua colonização só teve início com os franceses em 1554, que por não encontrarem riquezas aparentes, abandonaram-na. A partir de 1556 esteve sob domínio português. Em 1680, Luís XIV, rei da França, sem ter conhecimento da presença portuguesa, deu-a a Luís Jolliet, em reconhecimento a descoberta do Rio Mississipi nos E.U.A. Travou-se então uma batalha, cujo resultado favoreceu aos franceses. Interessante ressaltar, que apenas em 2002, a ilha de São Lourenço tornou-se independente.
[6] Os portugueses chegaram ao Brasil, em 1500, com a esquadra de Pedro Álvares Cabral, como decorrência da expansão marítima portuguesa. Embora habitado por povos nativos muito antes, foi pelas palavras dos portugueses que estas terras americanas passaram a ser conhecidas em toda a Europa. Inicialmente chamado de terra de Vera Cruz, Santa Cruz e conhecido também como “terra dos Papagaios”, recebeu a denominação de Brasil em função da abundância da árvore de pau-brasil (primeiro produto de exploração

colonial) em seu litoral. Entre os anos de 1621-1774, porém, a América portuguesa foi dividida em duas regiões político-administrativas – ao Norte, Estado do Grão-Pará e Maranhão e, ao Sul, Estado do Brasil – de forma a reforçar o controle sobre a região Norte (em franca expansão econômica decorrente da exportação das drogas do sertão  e facilitar a comunicação com a metrópole. Suas fronteiras foram delimitadas ao longo do tempo, através de uma série de tratados, só obtendo seu contorno atual no século passado. Tornou-se politicamente independente no ano de 1822, constituindo-se como império e passando a ser república em fins do século XIX.
Pedro Álvares Cabral (1467/68-1520/26) – navegador português, a quem d. Manoel I, “o venturoso”, confiou o comando da segunda armada que enviou à Índia, considerada “a mais aparatosa que até então havia deixado o reino”. Partindo de Lisboa em março de 1500, chegou às costas brasileiras em abril, seguindo viagem em maio. De regresso a Portugal, recebeu do rei muitas honrarias, mas acabou morrendo no esquecimento público.
[7] A concorrência por produtos coloniais marcou a relação entre as nações européias, além de ter permeado as políticas e práticas mercantilistas. Fruto dessa concorrência foi muito comum a pilhagem, o roubo e ataques aos negociantes e suas embarcações que conduziam os produtos das possessões às suas metrópoles. Esta foi a forma que as nações encontraram, sobretudo aquelas que haviam ficado para trás na corrida por possessões territoriais ultramarinas, para terem acesso aos tão cobiçados produtos coloniais.
[8] Neste período indica o mesmo que súdito da coroa. A palavra na Idade Média referia-se a uma camada privilegiada que recebia terras do Rei e uma série de benefícios.
[9] “Matéria que constitui as defesas do elefante”, eram as suas presas bastante apreciadas no mercado colonial, sendo utilizada, entre outras coisas, para ornamento (adornos e esculturas).
[10] Região de produção açucareira é uma importante região de silvicultura, donde se destacavam as madeiras semipreciosas. Nos dias atuais, tem a Cidade da Beira como sua capital de província, e é conhecida internacionalmente pela pesca do camarão.
[11] Região da Ásia meridional ligada a península Indochinesa.
[12] Região situada na costa oriental da África, banhada pelo oceano Índico. Em 1498, Vasco da Gama chegou a Moçambique, iniciando a descoberta desta região. Em 1752, Moçambique foi oficialmente proclamada colônia portuguesa, desenvolvendo-se ali um intenso tráfico de escravos que, em 1820, representava um porcentual de 85% de todas as exportações. Através desse comércio, milhões de escravos foram mandados para plantações de açúcar em Cuba e no Brasil. Foi a última colônia portuguesa a alcançar independência em 1975, após 11 anos de luta armada. 

Sugestões de uso em sala de aula:
Utilização(ões) possível(is):
- No eixo temático sobre a “História das Relações Sociais da Cultura e do Trabalho”
- No 1º ano do Ensino Médio ao abordar o eixo temático sobre as “Relações de Poder”

 Ao tratar dos seguintes conteúdos:
- A Expansão marítima e comercial
- A expansão sobre a África e os mecanismos de conquista
- A montagem do sistema colonial

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