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História Natural

Horto do Pará

Escrito por Super User | Publicado: Quinta, 01 de Fevereiro de 2018, 11h24 | Última atualização em Segunda, 25 de Junho de 2018, 13h25

Carta do encarregado do Horto botânico do Pará, capitão Lourenço José Correa, comunicando o recebimento de espécies de plantas e dando informações sobre os progressos dos cultivos que ali estavam sendo realizados. Dessa forma, o documento revela à introdução e cultivo de  espécies interessantes para o comércio no período, bem como as técnicas utilizadas na atividade agrícola.

Conjunto documental: Correspondência original dos governadores do Pará com a corte, cartas  anexos
Notação: Códice 99, volume 21
Datas-limite: 1800
Título do fundo ou coleção: Negócios de Portugal
Código do fundo: 59
Argumento de pesquisa: História natural
Data do documento: 20 de junho de 1800
Local: Pará
Folhas:  documento 72

“Ill.mo e Ex.mo Senhor
Em observância da portaria de V. Ex.a datada em 6 de maio deste ano ponho na respeitável presença de V. Ex.a o seguinte. Que no dia 8 do dito mês e ano, recebi no Horto Botânico1 vindo de bordo da charrua2 de sua alteza real3, denominada Augusta de que é comandante o capitão tenente Manoel da Silva Thomás, um caixão com 8 plantas de Morus Papyrifera, das quais só chegaram quatro vivas, e quatro mortas que logo fiz plantar com todo o cuidado, e se conservam vigorosas, e todas rebentadas de novo, que pelo pouco tempo da sua plantação admira o progresso que tem feito.
Que igualmente fiz fazer a plantação das sementes de pinheiro da variedade escocesa, e das pinhas de cedro do Líbano4 nas diferentes conjunções da Lua5, e em diferentes terrenos mas ainda não nasceram.
Pará6 20 de Junho de 1800.
capitão Lourenço José Correa de Carvalho como encarregado da inspeção do Horto Botânico.”

1 Em 1796, foi criado o primeiro jardim botânico na colônia, instalado em Belém na capitania do Pará, seu nome era horto público de São José.  Criado para servir de modelo “a todos os outros que  viessem a se constituir na América Portuguesa”, o jardim botânico destinava-se ao cultivo e adaptação de árvores exóticas e plantas medicinais indígenas, obedecendo à perspectiva utilitarista da Ilustração luso-brasileira que visava à exploração das potencialidades da colônia. A partir da vinda da corte para o Brasil (1808), houve um incentivo a criação deste tipo de estabelecimento, entre os quais pode-se citar o Horto Real, no Rio de Janeiro, em 1810 e o real jardim de plantas de Olinda.
2 Navio-transporte de três mastros, dotado de um grande porão, mas com baixa capacidade para armamentos.  Foi  muito usado no século XVIII, e em parte do XIX, em substituição a Urca (típica embarcação portuguesa do século XVII, de dois ou três mastros e com velas redondas ou latinas).
3 Trata-se de d. João VI (1767-1826), rei de Portugal, Brasil e Algarves.  Filho de d. Maria I e d. Pedro III, assumiu a regência do Reino em 1792, no impedimento da mãe que foi considerada louca.  Foi sob o governo do então Príncipe Regente D. João, que Portugal enfrentou sérios problemas com a França de Napoleão Bonaparte, sendo invadido pelos exércitos franceses em 1807.  Como decorrência da invasão francesa em Portugal, a família real e corte lisboeta partiram para o Brasil em novembro daquele ano, aportando em salvado em janeiro de 1808. Dentre as medidas tomadas por d. João em relação ao Brasil estão:  a abertura dos portos às nações amigas; liberação para criação de manufaturas; criação do Banco do Brasil; fundação da biblioteca real; criação de escolas e academias, e uma série de outros estabelecimentos dedicados ao ensino e à pesquisa, representando um  importante fomento para o cenário cultural e social brasileiro. Em 1821, o então d. João VI, retornou com a corte para Portugal, deixando seu filho d. Pedro  como regente. Deu-se, ainda, sob o seu governo, em 1825, o reconhecimento da independência do Brasil.
4 Nome comum de diversas árvores coníferas, cuja madeira é muito empregada na carpintaria. O mais conhecido é o cedro-do-líbano (cedrus libani), dotado de uma “copa poderosa” e de uma longevidade calculada em 2000 anos. Devido a sua resistência é considerado pelos libaneses um símbolo de força, sendo o ícone que ilustra a bandeira do país.
5 A expressão refere-se a um hábito milenar de cultivo das plantas seguindo as mudanças da lua, pois acreditava-se que as condições da natureza (de solo, clima, umidade) seriam diferentes em cada fase da lua (nova, crescente, cheia e minguante).
6 Província do Brasil situada entre as atuais regiões do Amazonas e de Roraima. Sua fundação reporta-se a instalação do Forte do Presépio (1616), fruto da preocupação da coroa portuguesa em evitar a penetração  de corsários, sobretudo franceses, em seus domínios pelo rio Amazonas. Esse forte deu origem a cidade de Belém, capital do atual Estado do Pará. Foi através dessa província que, na década de 1720, foi introduzido o café no Brasil. 

Sugestões de uso em sala de aula:
Utilização(ões) possível(is):
- No eixo temático do ensino fundamental do 3º Ciclo “História das relações sociais da cultura e do trabalho”
- Ao trabalhar o tema transversal “meio ambiente”  

Ao tratar dos seguintes conteúdos:
- Economia colonial
- Práticas sociais e do trabalho
- Brasil colonial: riquezas naturais e seu comércio  

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