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História Natural

Catálogo de Gêneros

Escrito por Super User | Publicado: Quinta, 01 de Fevereiro de 2018, 11h15 | Última atualização em Sexta, 03 de Agosto de 2018, 20h15

Catálogo de gêneros naturais do Brasil, e de outras colônias portuguesas, ainda não comercializados pelo reino. Relaciona  gêneros existentes nos três chamados reinos da natureza, indicando plantas medicinais e óleos. O documento avalia a importância destes produtos para o comércio exportador. 

Conjunto documental: Secretaria do Estado do Ministério do Reino
Notação: Caixa 731, pct. 02
Datas-limite: 1755-1863
Título do fundo ou coleção: Negócios de Portugal
Código do fundo: 59
Argumento de pesquisa: História natural
Data do documento:  s.d.
Local: s.l.
Folhas: documento 27 

Leia esse documento na íntegra

Catálogo de gêneros do Brasil e demais colônias portuguesas que ainda não estão no ordinário comércio.
Os marcados * são os que não precisam maior que ou nenhuma preparação exterior.

Reino Animal
+ Cochonila1 – Santa Catarina, Rio de Janeiro, Minas Gerais. Climatizada neste real Jardim Botânico2 defendendo o inseto da chuva e se poderia climatizar no reino de Algarve3.
Sendo vice-rei do Rio de Janeiro o marquês do Lavradio4 se descobriu melhor este tão útil inseto, e naquele tempo, e no do senhor Luis de Vasconcellos se introduziram algumas arrobas no comércio.

Reino Vegetal (...)
Para tinturaria (...)
Na coleção de mil amostras de madeiras a maior parte do Brasil, que se conserva neste real museu, além de construção, existem muitas para tinturaria, sem computar o pau-brasil5 e brazilete6.

* Casca de arariba que tinge em encarnado
* Gabão - pau que dá tinta encarnada fixa diferente da da Ilha de São Tomé.
* Curujuru – fecula encarnada, ou anil encarnado. Observou no Rio Branco o desembargador Francisco de Sampaio, que os índios o extraem das folhas de uma árvore por meio da fermentação. Pará7, Rio da Madeira, Branco.

Aromas
* Pimenta8- Pará
* Gengibre9 – Brasil
Óleos, Balsamos, Resinas, Gomas
* Óleo extraído das sementes de algodão10
* Óleo extraído das sementes de mamona11
* Óleo extraído das sementes do fruto de Dendê12
* Goma de caju serve de grude e defende da traça e outros insetos os papéis encadernados com esta
goma e serve para fábricas de xitas.

Reino Mineral
* Argila13 porcelana – Rio de Janeiro
* Pedra para panelas, e outros utensílios trabalhados ao torno – Minas Gerais
* Salitre, Nitro Nativo em várias partes do Brasil
Aproveitando-se pois do ouro14, que em abundância há nas terras vedadas diamantinas, e em muitas outras partes do Brasil, que ainda não foram mineradas, nem procuradas as suas betas, ou veios, nem também aqueles dos diamantes no serro do frio, e aproveitando-se da Platina de Minas Gerais15, Goyases16, Jacobina17 e extraindo as ricas minas de ferro, e aquele piriticoso que contém ouro nas Minas Gerais, de cobre, donde se acha a preciosa malaquite18 (que se recolhe em abundância no Reino de Angola19 de chumbo, bismuto, riquíssima minas de cobalto das Minas Gerais, antimonio, mercúrio. Imensas riquezas somente o Brasil subministrará.
Entre os indicados gêneros huns: (...)
3º As minas de metais precisam de Metalúrgicos alemães práticos para a escavação, fundição e purificação. (...)
2º Para estes gêneros que não necessitam alguma preparação se deveria instruir os colonos, com a obra que publicou dr. José Mariano Velloso20 chamada fazendeiro do Brasil, da qual saíram cinco tomos, e outras memórias, ou folhetos instrutivos para os lavradores."

1 Inseto da família dos coccídeos, a cochonilha vive numa planta chamada nopal, típica da região do atual México.  O nopal era cultivado para a criação do inseto, cuja intenção era a obtenção de uma substância corante vermelha produzida pelas fêmeas.  Esse corante natural, também chamado cochonilha, é utilizado ainda hoje.
2 Em 1796, foi criado o primeiro jardim botânico na colônia, instalado em Belém na capitania do Pará, seu nome era horto público de São José.  Criado para servir de modelo “a todos os outros que  viessem a se constituir na América Portuguesa”, o jardim botânico destinava-se ao cultivo e adaptação de árvores exóticas e plantas medicinais indígenas, obedecendo à perspectiva utilitarista da Ilustração luso-brasileira que visava à exploração das potencialidades da colônia. A partir da vinda da corte para o Brasil (1808), houve um incentivo a criação deste tipo de estabelecimento, entre os quais pode-se citar o Horto Real, no Rio de Janeiro, em 1810 e o real jardim de plantas de Olinda.
3 Província situada ao Sul de Portugal. Foi um antigo reino mouro até a expulsão destes por d. Afonso III. Está estreitamente ligada à história dos descobrimentos em função da atuação do promontório de Sagres, criado pelo infante d. Henrique (1394-1460) por volta de 1417. Na chamada Escola de Sagres,  reuniam-se diversos fidalgos para a discussão de assuntos concernentes às expedições ultramarinas.
D. Afonso III, “o bolonhês” (1210-1279), foi o segundo filho de d. Afonso II. Realizou-se no seu reinado deu-se a conquista definitiva do Algarve, além das seguintes realizações: união do reino dividido de Portugal; transferência da capital de Coimbra para Lisboa, fortificando-a com a edificação de torres; convocação das Cortes em Leiria nas quais participaram pela primeira vez em Portugal os representantes das municipalidades. Embora casado com Matilde de Bolonha, casou-se também com Beatriz, filha ilegítima de Afonso X de Castela. Sua bigamia resultou em uma disputa com a Santa Sé, na qual foi declarado interdicto. Posteriormente, seu casamento bígamo foi reconhecido e legalizado em 1263, sendo seu filho primogênito Dinis reconhecido como herdeiro.
4 O documento se refere a d. Luís de Almeida Portugal e Mascarenhas, 5.º conde de Avintes e 2.º marquês do Lavradio (1729-1790). Era filho do 1.º marquês do mesmo titulo, d. António de Almeida Soares e Portugal. Foi o 11.º vice-rei do Brasil, o segundo que governou a colônia portuguesa depois que a sede do governo se transferiu para o Rio de Janeiro em 1763 e nomeado vice-rei do Brasil em 1769, durando o seu governo 10 anos. Data desse período o regulamento, do distrito diamantino, feito pelo marquês de Pombal, em 10 de Julho de 1771, é uma evidência do rigor das fiscalizações.  Em 1779, dois anos depois do falecimento de el-rei d. José, o marquês do Lavradio deixou o governo do Brasil, sendo substituído por Luís de Vasconcelos e Sousa.
5 Madeira brasileira que se extrai um corante vermelho, pigmento bastante valorizado na Europa no século XVI. Por ser uma pigmento difícil de se extrair, a cor vermelha era, na época, associada a realeza. Representou o primeiro grande produto de exportação do Brasil, sendo explorado de 1500 a 1530 com exclusividade nas terras brasileiras. 
6 Madeira brasileira que se pode extrair corante vermelho, mas de cor pálida e de textura fina.
7 Situado entre as atuais regiões do Amazonas e de Roraima. Sua fundação reporta-se à instalação do Forte do Presépio (1616), fruto da preocupação da coroa portuguesa em evitar a penetração  de corsários, sobretudo franceses, em seus domínios pelo rio Amazonas. Esse forte deu origem a cidade de Belém, capital do atual Estado do Pará. Foi através dessa província que, na década de 1720, foi introduzido o café no Brasil. Anos mais tarde, em 1796, ocorreu a criação do primeiro jardim botânico da colônia, instalado em Belém.
8 Produto “raro e caro” no mercado, a pimenta era líder do comércio oriental das especiarias, devido às condições alimentares da época. São várias as espécies de pimentas existentes, tais como a malagueta, a pimenta-de-cheiro, dedo-de-moça, cambuci e a cumari. A pimenta de caiena é de uma espécie muito picante, derivada das malaguetas secas de um pimento vermelho. Usadas com moderação, as pimentas possuem funções medicinais tais como ativar a digestão e o metabolismo, e servem sobretudo para realçar e dar sabor aos alimentos. De um modo geral, as pimentas têm boas doses de vitaminas A, B e C, cálcio, fósforo e ferro.
9 O gengibre era um condimento bastante valorizado, dadas as suas propriedades picantes e apimentadas. Foi amplamente utilizado pelos indianos e orientais e, posteriormente, na culinária inglesa. Possui, além de suas qualidades culinárias, propriedades medicinais.
10 Conjunto de fibras que envolve a semente do algodoeiro, que é uma planta de clima mais seco e de chuvas regulares, por isso mesmo típicas de regiões mais afastadas do litoral.  Também dá nome ao tecido fabricado com suas fibras.  O algodão foi um  produto secundário, porém relevante no comércio ultramarino português. Há relatos desde o século XVII, de que as roupas dos escravos eram feitas deste material. No século XVIII, houve um aumento do consumo britânico do algodão, impulsionando a produção deste nas colônias portuguesas, interessadas no lucro comercial.  A concorrência do algodão produzido nas Treze Colônias Americanas,  de menor custo e de maior qualidade, levou à decadência da produção algodoeira no Brasil.
11 Gênero de planta da família das euforbiáceas  com o qual se fabrica um óleo purgativo, vulgarmente conhecido como óleo de rícino.
12 Óleo extraído da polpa do fruto do dendezeiro, com largo emprego como tempero.
13 Substância formada, principalmente, de sílica, alumina e água, fácil de modelar. Foi muito empregada na feitura de potes e outros utensílios doméstico, como também na construção de casas, a partir de tijolos e telhas desse material.
14 Metal precioso extremamente valorizado dentro das práticas mercantilistas, sua descoberta em terras brasileiras em meados do século XVII, impulsionou o processo de interiorização e povoamento das regiões das minas. É um produto que simboliza o luxo e a riqueza e devido ao seu valor é utilizado como lastro nas economias em diversos países.
15 Região inicialmente explorada no século XVII, em função da descoberta de ouro  pelos bandeirantes paulistas. Como resultado dessas explorações, a região das Minas Gerais teve uma intenso e acelerado povoamento. O crescimento da produção das lavras ocasionou uma maior fiscalização da Coroa, gerando inúmeros conflitos pelo direito de exploração das minas. Após um período de enriquecimento e esplendor, o final do século XVIII marca um esgotamento econômico. Este período de crise levou ao surgimento de movimentos favoráveis à independência, vista como solução para o término das pesadas tributações da Coroa Portuguesa. O principal conflito foi a  Inconfidência Mineira.
16 Apesar de ser uma região conhecida desde o século XVI, seu processo de colonização apenas iniciou-se no final do século XVII, a partir das descobertas de minas de ouro por bandeirantes paulistas, com destaque para Bartolomeu Bueno da Silva, o Anhanguera, considerado o descobridor de Goiás. Tem como legado cultural deste período o intenso contato entre índios nativos e negros, trazidos para a exploração das minas. Entre as cidades que mais se desenvolveram nete período do Ciclo do ouro destacam-se: Corumbá, pirenópolis e Vila Boa.
17 Palavra de origem indígena que significa “campo aberto” ou campo desprovido de vegetação era uma região localizada no Nordeste Baiano, no chamado Polígono das Secas. Região intensamente explorada em função das minas de ouro, prata, pedras preciosas e salitre descobertas por bandeirantes paulistas e portugueses no século XVII. Belchior Dias Moréya - o "Muribeca", neto de Caramuru, é considerado o descobridor destas terras.
18 Pode-se estar referindo a malaquita,  uma pedra de belo verde vivo que se pode cinzelar e polir para diversos fins como jóias e outros tipos de adornos.
19 Localiza-se na região Oeste do Sul de África. Durante o século XVI os portugueses, chegaram ao reino de Ngola ao qual chamaram Angola. Entre 1605 e 1641, os portugueses fizeram grandes campanhas militares de modo a conquistar o interior. A troca de escravos tornou-se o maior negócio dos portugueses e dos africanos.
20 José Mariano da Conceição Veloso (1742-1811), conhecido como Frei Veloso. Frade franciscano e naturalista brasileiro, dedicou-se à botânica, contando com o apoio do vice-rei Luís de Vasconcelos para as suas pesquisas. Membro da Academia Real das Ciências de Lisboa,  foi o autor do importante trabalho Flora Fluminse (1790), no qual classificou numerosas espécies vegetais, constituindo cerca de onze volumes, cujas estampas, com definições cientificas escritas, foram feitas pelo frei Anastácio de Santo Inês. Primo de Tiradentes, parece ter influenciado nos conhecimentos do alferes sobre plantas medicinais e suas aplicações curativas, que lhe deram fama no Rio de Janeiro.

Sugestões de uso em sala de aula:
Utilização(ões) possível(is):
- No eixo temático do ensino fundamental do 3º Ciclo “História das relações sociais da cultura e do trabalho”
- Ao trabalhar o tema transversal “meio ambiente”  

Ao tratar dos seguintes conteúdos:
- A sociedade colonial: culturas naturais
- Economia colonial
- Brasil colonial: riquezas naturais 
- Negócios ultramarinos

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